MÃOS NOS OMBROS É ASSÉDIO?

11.04.2019

Alô, Chics! 

Joe Biden, o ex vice-presidente dos Estados Unidos do tempo de Barack Obama, quer concorrer como candidato a presidência do país pelo partido dos Democratas.

Porque não? É um político experiente, honesto, trabalhador e simpático. O problema, por incrível que pareça, é justamente esse: é simpático demais, o que pode deixá-lo fora dessa corrida.



Biden foi acusado de assédio por duas mulheres que se sentiram desconfortáveis com o excesso de carinho e de proximidade para com elas por ter posto as mãos nos ombros de uma e dado um beijo no alto da cabeça de outra, sem que elas tivessem intimidade com ele para tanto.

Com o movimento #MeToo todas as normas sociais, especialmente na América do Norte, tiveram uma redefinição. Gestos, frases, tratamentos passam hoje por um crivo que detecta sexismos, assédios, racismos em qualquer situação, sejam eles intencionais ou não.

O político tratou logo de se desculpar, reconhecendo que as regras sociais mudaram e o que, para ele, era apenas um gesto de comunicação e simpatia podia – como de fato foi - ser lido como um gesto invasivo e machista.

Qual é então o limite de aproximação que se pode ter para que um toque ou um abraço não sejam considerados inadequados?

Parece que cada um de nós tem um círculo imaginário (cultural e geracional) de mais ou menos 45 centímetros, reservado aos íntimos. Uma espécie de área vip que só os parentes e amigos podem frequentar.

Para brasileiros essa medida certamente é mais flexível. Somos mais relax com proximidade física, com toques e beijinhos. Em todo caso, é bom saber que mulheres brasileiras também estão muito mais sensíveis ao modo como querem e devem ser tratadas e tocadas.

Por isso, como canta Elza Soares:
“devagar com a louça,
que eu conheço a moça,
vai, devagar;
pra não errar”.
Beijos, 

Gloria