KARL LAGERFELD, UM HOMEM QUE CULTUAVA A CULTURA

08.02.2019

Alô, Chics!

A única vez que estive com Karl Lagerfeld foi num café em St.Germain de Près onde eu tomava um chá com Christiane Bailly, uma das primeiras (e grandes) estilistas de prêt-à-porter francês, nos meados dos anos 1970.



Embora os dois fossem estrelas muito conhecidas do mundo da moda ele ainda não trabalhava na Chanel e podia andar pelas ruas da cidade e sentar para pedir um café sem causar uma convulsão na rua e na mídia. Os tempos ainda não eram de “celebridades”.

Christiane e Karl eram amigos e ele se sentou por alguns minutos conosco, tempo suficiente para contar um historinha maliciosa sobe uma amiga comum, recomendar veementemente a leitura de um livro (não lembro do título) e sair para um encontro para o qual estava, segundo ele, 1 minuto atrasado

Anos depois, foi contratado para a Maison Chanel com a dificílima incumbência de reerguer a marca do estado de semicoma que se encontrava depois da morte de sua famosa criadora.

O resultado nós conhecemos; Karl conseguiu, não só ressuscitar o nome, como fazer dele uma das maiores marcas contemporâneas do mundo.

Atribuo esse desempenho a um fator que o diferenciava e distinguia: sua imensa cultura.

Karl era formado em História, era apaixonado e sabia tudo sobre arte e podia, se quisesse, dar aulas de literatura clássica e contemporânea. Esse amor pela cultura fez com que ele respeitasse o legado da Maison Chanel, empresa onde trabalhou por mais de 30 anos.

Ao contrário de todas as outras grandes marcas europeias ele manteve vivo o look concebido por Gabrielle Chanel, embora sempre renovado e atualizado, fazendo com que o espírito da marca, sua personalidade e sua identidade sobreviessem.

Desejo boa sorte para Virginie Viard, sua sucessora e sua colaboradora de outro tantos 30 anos. Não vai ser fácil inventar um caminho próprio numa casa com tanta história sabendo, como todos sabem, que Karl Lagerfeld é insubstituível.

Beijos,

Gloria