DISCRETA, POR QUÊ?

22.01.2019

Alô, Chics!

Outro dia comentei com vocês o fato de que a indústria da moda só se interessa por mulheres jovens ou muito jovens (e, assim mesmo, só pelas que cabem nos manequins 36, 38 ou 40), desprezando as que passam dos 40 anos ou as que estão acima do peso.

Erro mercadológico gigantesco, uma vez que o mundo inteiro lida com o sobrepeso e tem nas mulheres maduras uma consumidora independente, com dinheiro no bolso e uma vida ativa cheia de compromissos para os quais ela quer estar bonita, sexy, adequada e bem vestida.

Pelas respostas que tive naquele comentário deu para perceber que são muitas as mulheres, muitas mesmo, que concordam comigo e que se sentem abandonadas, como se fossem invisíveis e cercadas de preconceitos.

Um deles é a indução a serem discretas. Dizem que elas devem usar estampas pequenas e escuras, colarzinhos de pérolas, cores neutras como o cinza o marinho e o bege, esmaltes de unha clarinhos, maquiagem tipo nenhuma e cabelos mais curtos.
Eu pergunto: por que mesmo? Porque cargas d’água uma mulher tem que sumir com o passar dos anos?

No tempo das cavernas, uma fêmea que não tivesse mais capacidade de reproduzir era posta de lado pelo bando, uma vez que sua serventia para a conservação da espécie havia terminado e, com ela, sua função na vida. Estamos há séculos deste tempo, no entanto muito desse estigma continua a pesar no comportamento contemporâneo.

Está mais do que na hora de rever e atualizar essa narrativa. Mulheres produtivas (e não só reprodutivas), criativas, cultas, divertidas e sabidas têm nos encantado, nos instruído, nos inspirado ao longo destes nossos tempos. Nenhuma delas invisíveis e “discretas”.

Portanto, queridas Chics, mulheres cheias de capacidade, energia e inteligência, usem os cabelos no comprimento e na cor que quiserem, subam em saltos altos, não tenham medo de cores e, sobretudo, não se curvem à detestável (falsa) obrigação de serem “discretas”!

Beijos,

Gloria